Iris Rezende desiste de ser candidato ao governo de Goiás e ataca Júnior Friboi

Iris deixa o caminho livre no PMDB para o empresário Junior Friboi

O velho cacique do PMDB de Goiás, Iris Rezende,  já não é mais o mesmo. Depois de mais de meio século de vida pública, o grande líder do PMDB goiano está saindo da cena política de maneira humilhante. Iris Rezende foi preterido pelos seus próprios companheiros de partido, alguns deles, crias políticas de sua cozinha. Iris foi praticamente defenestrado do seu PMDB. O bilionário Júnior Friboi chegou ao partido e o tomou por completo. Hoje a tarde o ex-prefeito Iris Rezende entregou ao partido uma carta com explicações da retirada do seu nome como pré-candidato ao governo de Goiás em 2014. O PMDB segue agora apenas com o nome de Júnior Friboi.

Em um trecho da carta-testamento que divulgou hoje, abandonando a disputa com o bilionário Júnior Friboi dentro do PMDB, Iris Rezende diz que “nunca pensei que veria o PMDB dividido internamente e lançado ao mercado de especulações pouco republicanas”. A insinuação é grave e dá a entender que estão acontecendo dentro do PMDB goiano ações que não respeitam a legalidade nem muito menos a ética e a moral.

É claro que a referência é dirigida a Júnior Friboi, que nunca escondeu ter dinheiro à vontade para gastar na política e estar disposto a fazer o que for possível para conseguir a sua candidatura e levar o partido a uma vitória em outubro último. Mas gastar de forma legal um dinheiro que foi ganho licitamente não é “pouco republicano”. Portanto, o que Iris disse vai mais fundo e coloca Friboi em suspeita. Resta saber se o velho cacique peemedebista vai ter a coragem de entrar em detalhes para explicar o que quis dizer com a sua acusação.

Confira a carta de renúncia de Iris Rezende à sua pré-candidatura ao governo de Goiás!

“Carta ao PMDB e ao povo de Goiás

Nos meus 56 anos de vida pública lutei e vivi intensamente o sonho de deixar como legado um país melhor para as futuras gerações. E tive a honra de participar da construção do maior partido político do Brasil livre e democrático, após o fim da ditadura militar, o PMDB. 

Acredito até hoje, do fundo de minha alma, que política se faz com ideais, com respeito às pessoas e com verdadeiro amor às causas pelas quais vale a pena lutar. 

Falo de combater a miséria em nosso Estado. Falo de melhorar a vida dos que têm menos e dependem do Poder Público até para conseguir uma casa. Falo de fazer com que essa casa tenha asfalto na porta e que a energia elétrica, a água e a rede de esgoto cheguem a todos. E falo também, com fervor ainda maior, da luta para que não faltem educação e saúde de qualidade para todos. 

Para mim são causas que valem a dedicação de toda uma existência. Esta é minha luta, por onde passei: de líder estudantil à Câmara Municipal e prefeitura de Goiânia, de lá para a Assembleia Legislativa e o governo do Estado, aos ministérios da Agricultura e da Justiça e ao Senado Federal. 

Nesse momento, contudo, vejo Goiás muito fragilizado. Nossa infraestrutura está comprometida. A população está assustada diante dos maiores índices de violência da nossa história. Ninguém sabe quem de fato controla a segurança pública em Goiás. E como se não bastasse, temos serviços públicos cada vez piores, especialmente na educação, saúde e distribuição de energia. 

Por outro lado, vejo a oposição fragmentada e também fragilizada. Por isso, lancei minha pré-candidatura ao governo de Goiás. Senti que meu nome seria novamente o mais competitivo, com maior capacidade de aglutinar os anseios populares – basta ver a lembrança ao meu nome nas pesquisas eleitorais, mesmo sem que eu me movimentasse como pré-candidato – e de outros partidos de oposição numa disputa contra o atual governo estadual. 

Atendi, inclusive, ao apelo do Partido dos Trabalhadores (PT), de que só manteria a aliança com o PMDB em Goiás se eu me dispusesse a ser candidato a governador. 

Mas nunca pensei que veria o PMDB dividido internamente e lançado ao mercado de especulações pouco republicanas. Já participei de muitas disputas internas no partido, nacionais e em Goiás, ganhei e perdi, mas sempre foram embates leais, pautados por ideais. Não quero, contudo, que meu nome seja instrumento de cisão desse partido, que é resultado do sentimento de muitos goianos. 

Desta forma, é com enorme pesar no coração que retiro minha pré-candidatura às eleições desse ano. Tomo essa decisão em respeito ao meu partido, à minha história e, sobretudo, em respeito ao povo goiano.

Sigo sempre em busca do bem maior para o Estado de Goiás e para o Brasil.

Iris Rezende Machado”




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